O Ibovespa encerrou o segundo trimestre de 2026 com alta de 4,2%, puxado principalmente pelo desempenho das ações de empresas exportadoras de commodities. Petrobras, Vale e as grandes siderúrgicas foram os destaques positivos do período — mas a performance do índice esconde uma divisão clara entre os setores que se beneficiaram do câmbio e aqueles que sofreram com os juros ainda elevados.
O real acumulou desvalorização de 6,8% frente ao dólar no trimestre, o que impulsionou as receitas em reais das exportadoras. Para a Vale, por exemplo, cada centavo de desvalorização do real representa um ganho significativo nas receitas convertidas da mineração de ferro.
O papel do minério de ferro
O preço do minério de ferro no mercado internacional subiu 12% no trimestre, impulsionado pela retomada da demanda chinesa após um período de desaceleração. Isso foi um fator decisivo para o desempenho da Vale e, por extensão, do Ibovespa — já que a mineradora tem peso significativo no índice.
Mas os analistas alertam para a volatilidade desse componente. "A China é o grande driver do minério de ferro, e a economia chinesa ainda tem muitas incertezas. Um dado ruim de atividade industrial lá pode reverter rapidamente os ganhos que vimos no trimestre", diz Marco Antunes, analista de commodities da corretora Ágora.
"O Ibovespa está muito dependente de um ciclo de commodities que pode ser mais curto do que o mercado está precificando. Diversificação setorial continua sendo fundamental."
— Marco Antunes, analista de commodities, Ágora
O lado negativo: varejo e consumo
Enquanto as exportadoras brilhavam, as ações de varejo e consumo interno tiveram um trimestre difícil. O índice de consumo do Ibovespa caiu 3,1% no período, refletindo a pressão dos juros sobre o crédito ao consumidor e a inadimplência ainda elevada das famílias.
Empresas como Magazine Luiza, Americanas (em recuperação judicial) e Grupo Pão de Açúcar viram suas ações pressionadas por resultados abaixo das expectativas e revisões para baixo nas projeções de crescimento de receita.
Perspectivas para o 3º trimestre
Para o segundo semestre, o consenso do mercado aponta para um Ibovespa entre 135 mil e 145 mil pontos até o final do ano — uma faixa relativamente ampla que reflete as incertezas do cenário. Os principais riscos são: deterioração fiscal, volatilidade cambial e uma possível desaceleração mais abrupta da China.
Os catalisadores positivos incluem a continuidade do ciclo de corte de juros, a retomada do crédito para consumo e uma eventual resolução das incertezas fiscais que têm pesado sobre o humor do mercado.